sábado, 15 de junho de 2013
Desoneração: ato lesivo
Vivemos uma fase de estarrecedora incredulidade. O segmento esclarecido da sociedade que se interessa por assuntos técnicos ligados à engenharia de orçamento, desde a sua previsão até a sua execução, assiste incrédulo às sucessivas desonerações de receitas, especialmente as da Seguridade Social – onde se insere a Previdência Pública.
A título de incentivar e reaquecer a indústria brasileira, pratica-se contra a Seguridade Social o ato lesivo de desviar das suas receitas, instituídas para manter programas destinados aos trabalhadores do país, significativas parcelas que, no futuro, farão falta para cumprir as obrigações constitucionais.
Também lesiva e inútil é a desoneração sobre produtos da cesta básica, porque nunca – na história desse país – se assistiu a uma elevação de preços tão grande como se verifica agora, contrariando a expectativa de redução para os preços dos produtos. Isto já acontecia com a desoneração anteriormente autorizada, sobre produtos básicos da mesa do trabalhador.
A sangria não cessa e os esperados benefícios não acontecem!
A Seguridade Social vai resistindo como pode, dando milagrosamente, ano a ano, resultados financeiros crescentes, apesar das políticas públicas serem desestimulantes para novas filiações de segurados.
Por um lado, fica evidenciado o engodo do ‘déficit’, por tanto tempo propagado. Se houvesse o ‘rombo’ alardeado, como poderiam estar praticando a desenfreada desoneração de receitas do importante e seguro programa de proteção social? Cai por terra a mentira que não poderia se sustentar mais. As receitas da Seguridade Social são crescentes.
Não vemos a mesma vitalidade no PIB, por exemplo. Causa-nos apreensão a inflação que resiste a decrescer, apesar das medidas emergenciais tomadas.
O fechamento do balanço das contas públicas causou embaraços, que assistimos pelo noticiário, com posicionamento discordante de autoridades de renome da economia brasileira quanto às soluções adotadas.
Tudo isso deixa o contribuinte atônito, porque a carga tributária excessiva causa desconforto e funciona como confisco de suas parcelas de remuneração e proventos – podendo-se citar o Imposto de Renda da Pessoa Física, defasado ao longo de vários anos.
Enquanto isso, o investidor é poupado. Seus lucros de aplicações não são atingidos, num processo tributário injusto. Vejam-se os longos 25 anos desde a promulgação da Constituição Federal, que não foram suficientes para a regulamentação dos 12% de juros anuais nela fixados. Nada atinge o segmento financeiro nem os grandes investidores.
Muito oportuna, a campanha ‘Imposto Justo’, para a revisão dos tributos que gravam os direitos dos contribuintes de forma injusta. Vamos conseguir o 1,5 milhão de assinaturas para ver vingar a proposta dos auditores-fiscais.
Por último, mas não por fim, uma indagação: quando haverá no país uma ‘Lei de Responsabilidade Social’ que preserve os direitos dos brasileiros e os coloque acima de interesses políticos, partidários e de governos? Afinal, eles são sagrados; verdadeiros construtores da Nação Brasileira, um conceito muito mais amplo do que, simplesmente, Estado Brasileiro.
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sábado, 1 de junho de 2013
Aula de democracia
Realizou-se em Manaus,
entre 25 e 28 de maio, a XXIV Convenção Nacional da ANFIP (Associação Nacional
dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil). Sabemos do esmero com que
são realizados todos os eventos da entidade. Porém, uma conjunção de fatos
aliada a uma excelente programação fizeram dessa a mais importante de sua
história. Acorreu à capital amazonense um contingente expressivo de associados,
familiares, autoridades e amigos da Associação e das causas que ela defende.
Alegrias e emoções, a todo momento, foram marcas que ficarão na lembrança de
todos que lá estiveram.
Após uma sessão de
abertura bastante concorrida, com a presença de ministros, parlamentares,
autoridades e o quadro associativo bem representado, abriram-se os trabalhos no
domingo, dia 26. O que nos aguardava, logo nos primeiros momentos? A presença
imponente do ministro Carlos Ayres Britto que, com tanta competência e
dignidade, presidiu o Supremo Tribunal Federal (STF) – entre abril e novembro
do ano passado. O magistrado proferiu palestra cujo tema foi ‘A importância das
carreiras públicas de Estado para a construção de uma sociedade justa e
solidária’, ocasião em que, de fato, ministrou uma grande lição sobre
democracia.
Demonstrou largo e
profundo conhecimento de todos os problemas que nos afligem e esclareceu as
questões pontuais hoje sob a análise do STF. Usou de lirismo para enriquecer
suas colocações, invocando cantores, compositores e filósofos, especialmente
Aristóteles (fundador da Ética, que ensina que todo conhecimento e todo
trabalho visam a algum bem e que o bem é a finalidade de toda a ação) e Epicuro
(para quem o propósito da filosofia era atingir a felicidade, através da
ausência da dor física e da imperturbabilidade da alma). Seu ponto alto foi a
colocação da necessidade do homem como o centro de todas as atenções: ‘Deus no
céu e o homem na Terra’. Ou ainda: ‘o povo como instância deliberativa e nada
mais’. Riqueza de cultura, sobriedade e dignidade, passadas para um plenário
lotado e atento, maravilhado com o grande presente proporcionado pela ANFIP.
Ayres Britto explanou
longamente sobre o papel do servidor público, dignificando sua importância e
sua essencialidade para o Estado brasileiro, ‘porque cuida de tudo que é de
todos’. Demorou-se tratando da democracia, numa verdadeira aula magna,
ressaltando o seu valor continente (tudo está contido nela) e também o seu
valor teto (nada está acima dela). Destacou, por fim, os valores essenciais
para que exista a verdadeira democracia, como: igualdade, liberdade, segurança
e justiça social, entre outros não menos importantes. Dedicou à Convenção
Nacional e a todos nós todo o tempo necessário para responder aos
questionamentos, que se elevaram a muitas dezenas.
Magnetizou a todos,
honrando, com sua postura profissional e jurídica, a figura do homem público. Tanto
que não poderia encerrar de outra forma a sua apresentação: ovacionado, de pé,
por todos os presentes.
Pena que o Brasil
deixe ir para casa (na prática, mande, pela aposentadoria compulsória imposta
pelo artigo 40 da Constituição Federal), na plenitude dos 70 anos de idade, uma
figura de porte notável, somente comparado aos grandes brasileiros registrados
pela nossa história.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
A Previdência Social e a construção da Nação Brasileira
(especial para
o portal da ANFIP-MG)
Quando se volta no tempo
e se estuda a construção da nação brasileira, encontramos sustentando seu
crescimento e garantindo direitos fundamentais do seu povo a Previdência
Social. Desde a sua forma mais embrionária, das Caixas de Aposentadoria e
Pensões até hoje, são 90 anos de existência.
Fantásticas, as suas
importância e vitalidade. Sofrendo ataques intermitentes, partidos dos
segmentos da economia interna e externa que almejam o controle de milhões de
vidas, não foi poupada nem do discurso oficial, que persistiu por longo tempo
alardeando a sua falência e estampando, na imprensa de larga divulgação,
números imprecisos, sem sustentação técnica.
Tivemos sempre,
rebatendo esse discurso odioso, a posição do mais respeitável grupo de
servidores: os da própria Previdência Social. Com publicações técnicas,
utilizando números oficiais, derrubava dia a dia a insanidade das informações
levianas que tinham como propósito definido a sua privatização.
Está ela aí,
altaneira, organizada, copiada para países do dito primeiro mundo, dando lições
de como administrar bem um contingente, hoje, de 30 milhões de vidas, com seus
benefícios em ordem e seu banco de dados em dia, graças à normatização sempre
atualizada. A previdência pública brasileira é um exemplo de respeito à nossa
Constituição: ela coloca o homem como o centro de atenções, garantindo a ele,
no papel de segurado, o princípio sagrado da vida e com olhar de futuro.
É verdade que os
benefícios estão hoje em patamares inferiores aos que já foram praticados – o
salário mínimo com correção aquém do que deveria ter, segundo o DIEESE,
influencia toda a grade de benefícios previdenciários. A política pública do
governo impulsionou, sem dúvida, a área assistencial; porém pressionou para
baixo os valores das prestações de aposentadorias e pensões. Veja-se o que
ocorreu com o teto de pagamentos do INSS, antes de 10 salários mínimos, hoje
restrito a cerca de seis – quase a metade!
Circunstâncias que nada
têm a ver com a administração da Previdência Social, já que trata-se de imposições
de fora para dentro, embora afetando esse maravilhoso sistema de amparo social
com relação à sua conquista. Aliás, nunca é demais relembrar que a cobiça pela
Amazônia, pelo petróleo e pela Previdência Social tem sido notória e é motivo
de grande resistência de todos nós, que lutamos pela soberania do Brasil.
A Previdência Social,
além da garantia que oferece aos seus segurados, é, sem dúvida, um fator
importante para a paz interna do país. Porém, não podemos deixar de mencionar o
aspecto preponderante de sua participação na redistribuição de renda, uma vez
que é um sistema solidário que garante a todos os contribuintes o quinhão que a
doutrina previdenciária prevê. Não obstante os segurados vivam em estados cuja
arrecadação para o sistema seja inferior ao montante repassado para os
pagamentos mensais dos benefícios.
Solidário e humano, cabe
frisar, bem diferente da previdência complementar, egoísta e exclusivista, onde
cada participante acumula ‘o seu’, sem qualquer margem para o todo, mas um
sistema paralelo que não perde sua relevância, em tempos de benefícios com
valores tão defasados.
Trabalho de autoria do
nosso colega Álvaro Sólon de França comprova que a economia de pequenos e
médios municípios brasileiros gravita em torno dos recursos que mensalmente são
transferidos para o pagamento dos segurados da Previdência, não raro valores
superiores às transferências constitucionais ou receitas próprias, como o ISS.
Imaginem se não
houvesse a sangria nas receitas previdenciárias, como vem ocorrendo ao longo de
décadas, recentemente fomentada ainda mais pelo regalo das desonerações...
Devemos exaltar este
importante sistema que a todos nós orgulha e respalda o crescimento do Brasil,
com o pagamento dos benefícios rurais, do Bolsa-Família, de transferências
diversas de renda e tantos outros programas assistenciais. Alguns dos quais até
não originalmente previstos de serem financiados por ele, mas ainda assim
honrados todos os meses.
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quarta-feira, 15 de maio de 2013
Sucesso absoluto
A ANFIP
está divulgando uma bela campanha de valorização do trabalho do auditor-fiscal.
E, em meio a tanta incerteza na área administrativa do país, especialmente na
questão econômica, nós, os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil,
continuamos em nosso trabalho de melhor e mais arrecadar os recursos
necessários ao desenvolvimento dos programas públicos de governo, com foco
maior no campo social. Sabemos a medida correta de nossa importância na
sociedade. Estamos todos imbuídos de nosso papel e, com afinco, vamos
alcançando vitórias na seara profissional, como as registradas no crescimento
das receitas, não obstante a severa crise financeira que atinge a todo o mundo,
com respingos também no Brasil.
Estamos
a um passo de realizar nossa XXIV Convenção Nacional, evento que, sem sombra de
dúvida, repetirá o sucesso das anteriores. A Associação Nacional dos
Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, ao longo de seus 63 anos de
existência, vem solidificando sua posição junto à sociedade, pelo trabalho
incessante na busca da justiça social e reconquista de direitos subtraídos, no
tempo, dos trabalhadores. Participa ativamente, junto com entidades coirmãs, do
trabalho parlamentar, alimentando com informações corretas os debates que são
travados em todas as esferas de tomada de decisão. Dá-nos orgulho pertencer a
uma entidade sempre presente, em todos os momentos participando do
desenvolvimento do país e de toda a sua gente.
Teremos
oportunidade de estar reunidos de 25
a 28 de maio, em Manaus, nesse grande conclave, um
momento ímpar para apresentar sugestões, discutir temas da categoria e
problemas nacionais. Isto em meio à alegria de rever amigos queridos,
homenagear autoridades que comparecem em grande número a todas as convenções
nacionais, e lembrar com saudade dos que se foram mas deixaram um legado
fabuloso em seu esforço pela categoria. Pela ANFIP. Pelo Brasil.
Admirável
tem sido a marca das reuniões. É a hora de modernizarmos a entidade,
acompanhando a corrida da alta tecnologia; de introduzirmos novos sistemas de
facilitação do árduo trabalho do auditor-fiscal; de oferecermos novos produtos
atrativos para os associados; de elegermos nossos novos Conselhos. Enfim,
repensar a ANFIP. Tudo com respeito e responsabilidade. Passando a limpo e
atualizando tudo o que nos diz respeito, em discussões produtivas, a partir de
proposituras encaminhadas, em grande número, pelos associados.
São
momentos profícuos e de rara felicidade, que nos fazem esquecer um pouco as
refregas e quedas-de-braço que vimos acompanhando, a ocorrer nas mais altas
instâncias do poder.
Belo
exemplo de ordem e liderança é dado pela ANFIP, a cada Convenção Nacional. Que,
na volta, possamos trazer as esperanças renovadas e a disposição para, sob o
seu comando, continuarmos na luta que apontará a vitória em nossa direção.
Parabéns,
ANFIP!
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quarta-feira, 1 de maio de 2013
Momento conturbado
Não só o Brasil mas
todos os países do mundo precisam de ordem interna e paz, para os seus
cidadãos. Com tantos problemas para resolver, assistimos com tristeza e
apreensão a refrega entre poderes da República, ferindo a estabilidade de
competências, sacramentada na Constituição Federal de 1988. Lá se vão 25 anos e
só agora acham de sufocar o Supremo Tribunal Federal e desmontar o Ministério
Público Federal. Justamente no momento em que a sociedade acordou da letargia
de décadas e confiou que é possível um Brasil ordeiro, honrado e soberano.
Curioso...
São muitas as
Propostas de Emenda à Constituição tramitando no Congresso Nacional. Melhor que
não estivessem entre elas as de números 33 (submissão de decisões do STF ao
legislativo) e 37 (impedimento da atuação do MPF em investigações criminais),
invasivas e incômodas para a estrutura dos órgãos superiores de decisão do
país.
O Congresso Nacional
precisa agilizar questões relativas aos direitos dos trabalhadores, que veem
chegar o 1º de Maio sem qualquer aceno de recomposição de seus salários, nem recuperação
de perdas impostas por decisões injustas e sem critério.
Precisamos ver
implantado o respeito ao direito dos trabalhadores. Há notícias de que suas
representações, a partir de maio, farão mutirões em Brasília, no sentido de
esclarecer e conscientizar parlamentares quanto aos seus pleitos.
A desaposentadoria é
uma reação lógica à supressão do benefício outrora em vigor (o pecúlio
especial), correspondente a novas contribuições vertidas ao Sistema de
Seguridade Social após a aposentadoria. O que queriam? Manter contribuições sem
a respectiva contrapartida? Isto no Regime Geral de Previdência Social – RGPS.
A ação tem
correspondência com o regime próprio dos servidores públicos, aos quais foi
impingida, pela reforma de 2003, contribuição de aposentados e pensionistas,
sem qualquer benefício atrelado a ela. Consequência: a PEC 555, que tramita
desde 2006 é a reação natural à quebra desse mesmo princípio da contrapartida,
que esteia a doutrina previdenciária quanto aos direitos e deveres dos seus
participantes. Não pode haver contribuição sem o correspondente benefício! Os
argumentos de ‘contribuição social’, de que ‘a previdência está quebrada’, como
tantos outros, são pura conversa fiada. Não ‘colam’ mais.
A fantástica queda do
valor do teto dos benefícios, de 10 para 6 salários mínimos, é outro disparate
que não tem explicação, num país em que se garante viver num estado democrático
de direito! Paga-se por um determinado teto durante anos, na expectativa de
gozar os direitos vigentes, e, na ocasião do cálculo dos proventos, vem a
impostura do ‘fator previdenciário’, que reduz em até 40% o que seria justo
receber. Vale ou não o contrato; a expectativa do direito?
São muitas as questões
tramitando hoje no Congresso Nacional, a passo de cágado, trazendo insatisfação
para os trabalhadores que construíram este país maravilhoso. Não adianta
alardear que somos a sexta, sétima ou oitava economia do mundo, se o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) está muito longe dessa realidade, perto do 80º
lugar. Ou seja, se não há correspondência em saúde, educação, trabalho, moradia
etc., mal comparando é como ter um palácio onde morem maltrapilhos doentes.
Vamos harmonizar
crescimento econômico com direitos sociais, aspectos tão bem dispostos na
Constituição, e esperar que, no próximo 1º de Maio, tenhamos alcançado sucesso
em nossas lutas pelos trabalhadores.
Ordem, Paz e Justiça Social: é do que o Brasil precisa! Não de embate entre os poderes. Como diriam os antigos, cada macaco no seu galho.
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segunda-feira, 15 de abril de 2013
Presente antecipado
Aproxima-se
o 1º de maio, dia consagrado às comemorações do Trabalho, com a aprovação, pela
Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal, da proposta do senador Paulo
Paim (PT-RS) que reconhece aos trabalhadores aposentados a revisão de seu valor
de benefício, com o aproveitamento das contribuições pagas ao RGPS (INSS), após
a sua aposentadoria. Nada mais justo, porque respeita a doutrina previdenciária
– que garante aos contribuintes benefícios correspondentes ao seu tempo de
trabalho, limitados ao teto das contribuições.
Desde
que se aboliu o ‘pecúlio especial’, formado pelas contribuições do segurado que
voltava ao trabalho formal após a aposentadoria, iniciou-se a formação do
direito de, em qualquer tempo, ser reivindicado pagamento correspondente aos
valores pagos.
O
princípio fundamental que rege a Previdência Social, para a concessão para
aposentadorias e pensões, é o da contrapartida, ou seja, pagar durante a vida
laborativa para fazer jus aos benefícios no futuro. O caráter terminativo da
aprovação da proposta reflete a mudança também havida no Senado, seguindo a
postura de independência do Supremo Tribunal Federal (STF).
Fazemos
votos que a Câmara dos Deputados não se dobre às pressões que devem ocorrer. Coloque-se
o trabalhador, o homem, acima de interesses coloquiais e políticos. Trata-se de
decisão de caráter de direito social: o homem tem que ser o centro de atenção
dos governos, não os interesses financeiros, políticos ou partidários. Trata-se
de respeito a um direito dos trabalhadores, por tanto tempo vilipendiado, que
já vem sendo reconhecido pela justiça de primeira instância – a desaposentação
ou desaposentadoria, como se queira.
Fácil de
entender. A Previdência Social, dentro de sua linha de responsabilidade e
justiça, vai poder reconhecer o direito dos trabalhadores quanto ao seu
comprometimento com o Sistema de Seguridade Social, recebendo seus benefícios
conforme o que foi construído pelos pensadores da Previdência pública.
Não está
ganho, ainda. Precisamos estar presentes no Congresso Nacional e cobrar dos
parlamentares o seu compromisso expresso em campanha, junto aos segurados.
Muitos deles só foram eleitos porque contaram com votos do expressivo
contingente de cerca de 30 milhões de vidas. Organizadamente, vamos rebater as
notícias de que a proposta ‘terá impacto de R$70 bilhões na Previdência’ (O Globo, 11/04/2013). Citam
que esse montante possa ocorrer nos próximos anos. Não apresentam planilha de
cálculo nem levam em consideração que essa fábula de reais vai, todinha, para o
consumo, influenciando, positivamente, a economia do país. Segundo autoridades do
próprio governo, cerca de 40% do que se paga a trabalhadores retorna aos cofres
públicos sob a forma de tributos, cobrados no consumo de bens e serviços.
Então, esses R$70 bilhões já estarão bem reduzidos.
Ocorre,
também, para que possamos contrapor à ideia do ‘impacto’ nas contas da
Previdência, que se houvesse necessidade financeira em seu caixa, o governo decerto
não estaria concedendo desoneração de contribuições previdenciárias para tantos
segmentos da economia.
A forte
corrida para as aposentadorias foi consequente de discursos públicos que
falavam, irresponsavelmente, da quebra da Previdência Social. Isso não ocorreu
nem ocorrerá jamais. São 90 anos de luta e história vitoriosa.
Contra
essa cantilena de déficit, a ANFIP apresenta, em sua publicação ‘Análise da
Seguridade Social 2011’, um superávit financeiro de R$77,8 bilhões. Não
conhecemos qualquer contestação a esse resultado apresentado.
No 1º de
maio, o nosso abraço ao senador Paulo Paim, pela persistência e tenacidade na
luta pelos trabalhadores; e a todas as entidades e demais associações, especialmente
a nossa ANFIP, que se destacam na luta pelos direitos humanos, sociais e
trabalhistas.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Esperança renovada
São
inúmeras as demandas dos trabalhadores, na busca da reconquista de direitos que
julgavam adquiridos. Felizmente, temos acompanhado a atitude enérgica do
Supremo Tribunal Federal no julgamento de diversas questões, que se vinham
arrastando, ano após ano, sem a eficácia esperada.
Referimo-nos
ao caso dos precatórios que, lamentavelmente, recebeu no Poder Legislativo
tratamento, a nosso ver, inconcebível. Imaginamos que leiloar direitos não é
coisa de um país que luta tanto por justiça e liberdade. Inconcebível, mesmo,
que um credor, após o julgado de sua lide com direito reconhecido pela Justiça,
e a inclusão em precatório, seja ameaçado com a ‘negociação’ de seus direitos,
em leilão bancário, em que são oferecidos para pagamento valores menores, com
lucro pela área financeira. Mais do que isso: é vergonhoso! Leva primeiro quem
aceitar menos.
Não se
atenta para o Estatuto do Idoso, para o trânsito em julgado; apenas para o
interesse dos devedores. Legislam sempre em favor dos administradores
inadimplentes, em todas as suas responsabilidades.
No
entanto, o STF, chamado a apreciar precatórios, à luz da disciplina vigente,
repôs em grande parte as prerrogativas legais para o desembaraço e pagamento
aos credores. Municípios, estados, o Distrito Federal e o Governo Federal devem
bilhões de reais a servidores, prestadores de serviço e outros colaboradores,
sem que ofereçam solução imediata para processos que se arrastam por dezenas de
anos, em alguns casos.
Se
prevalecer o que o STF arguiu, ou seja, um ano para julgamento dos processos e
respeito à idade dos requerentes, isso principalmente, será um avanço
incalculável.
A
presença mais enérgica, assumida ultimamente pela corte suprema, sem dúvida vai
reverter a expectativa da incredulidade da sociedade. Realmente sentimos que
novos rumos estão surgindo na coisa pública. É preciso que se tenha confiança
nos gestores; que eles possam ser avaliados, não apenas pela Lei de
Responsabilidade Fiscal, mas também pela responsabilidade social que ainda não
consta em lei.
Perguntamos
aqui: por que servidores municipais, estaduais e federais não podem compensar
cobranças a eles dirigidas com os créditos retidos nas esferas públicas?
O enorme
desgaste causado pela lenta solução dos precatórios nos parece possível de ser
mitigado agora, com a interveniência do STF para corrigir seus rumos.
Mas não
somente esse assunto foi objeto das ações desse elevado Órgão Público, em março
último: discutiu-se, também, um rol de questões ligadas à Fundação de
Seguridade Social – GEAP, que abraça hoje cerca de 700 mil vidas. Com programas
de Saúde e Previdência, ela existe – desde a sua antecessora, Assistência
Patronal – há 68 anos, instituída no interior do IAPI (Instituto de
Aposentadoria e Pensões dos Industriários, incorporado pelo INPS, atual INSS),
em 1945. Seus assistidos, hoje, são servidores públicos federais de entidades
públicas que a contratam. É uma instituição de autogestão de saúde, contando
com uma pujante carteira do Programa de Pecúlio Facultativo.
Inobstante
suas características especiais, vem lutando contra ataques à sua existência e
sua hegemonia, causando espécie, pontualmente, a ação da Golden Cross
(prestadora privada) contra contratos de adesão de ministérios à GEAP-FSS. Por
certo, o desejo do lucro maior que poderiam as instituidoras privadas auferir
da gestão das centenas de milhares de vidas cuidadas pela GEAP, tenha
estimulado uma ação, também julgada pelo STF. Vamos, pois, arrumar a nossa casa,
a GEAP-FSS, ‘antes que algum aventureiro lance mão dela’!
O grande
atrativo para geri-la é a sua carteira de pecúlio; suas aplicações financeiras,
principalmente. Os baixos valores pagos pelos servidores para custear o
programa saúde são muito inferiores aos cobrados pelas outras operadoras.
Porém, o atendimento é amplo, mais prestante que os demais oferecidos pelo
mercado.
Lutemos
pela GEAP-FSS! Os servidores públicos não têm como custear qualquer outro plano
semelhante. E esse, ainda por cima, é
nosso!
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